Feliz 2025: suas memórias de 2025 viram a lente com que você enxerga 2026
02/01/2026 at 02:01:28
Author: Jackson Cionek
02/01/2026 at 02:01:28
Author: Jackson Cionek
“Feliz 2025” hoje não é sobre calendário. É sobre método. É um jeito de dizer: eu volto ao que vivi em 2025, reorganizo o sentido — e entro em 2026 com menos dureza e mais clareza.
Essa proposta conversa com a ideia central de A Felicidade para Além da Ilusão (Gabriel Rolón): felicidade não é “ganhar a vida perfeita”. É parar de exigir que o mundo confirme uma fantasia e aprender a sustentar um modo mais verdadeiro de estar no real — com perdas, contradições e escolhas. É maturidade afetiva sem cinismo.
E por que isso importa agora? Porque 2025 (para muita gente) foi o ano em que o “eu” ficou mais parecido com um Avatar em Zona 3: tentando dar sentido imediato ao que não tem sentido, operando por pressa, medo, comparação, pertencimento rápido e narrativa pronta. O corpo segue vivo, mas a primeira pessoa fica governada por um piloto externo.

CBDC de Varejo PIX DREX cidadão
O ponto de partida: você não é “uma ideia na cabeça”
No seu vocabulário: Eu-Bioma.
Você é um sistema vivo sustentado por fluxos: água, energia, nutrientes, descanso, temperatura, respiração, microtensões, microbioma, relações. E a consciência, na prática, é governança sentida desse conjunto: interocepção (sinais internos) + propriocepção (posição/ação), integradas em “sou eu aqui, agora”.
Quando isso está íntegro, você sente e escolhe.
Quando isso é sequestrado, você reage e justifica.
A ilusão que envelhece o coração
A ilusão mais comum é esta: “se eu organizar tudo (ou vencer tudo), eu fico bem”.
Só que a vida não assina contrato com essa promessa. Então a mente cria um atalho: narrativas que substituem sinal. E aí você não precisa sentir de verdade; basta repetir uma explicação pronta.
É aqui que o “Feliz 2025” vira um gesto profundo: ressignificar memórias não para “romantizar” o passado, mas para recuperar o comando do Eu-Bioma sobre o Eu-Avatar.
Quando líderes parecem “quase psicopatas”
Há um tema desconfortável que você quer incluir: muitos políticos e líderes religiosos parecem operar perto da psicopatia. Dá para falar disso com precisão sem virar acusação solta.
O que livros como Um Psicopata Entre Nós (Vicente Garrido) ajudam a enxergar é que existem padrões de funcionamento (não diagnósticos automáticos) que aparecem em certos perfis e, principalmente, em ambientes que premiam:
charme instrumental (seduzir para usar),
mentira funcional (mentir como técnica),
ausência de culpa (sem freio interno),
frieza diante do sofrimento (gente vira número),
necessidade de controle (verdade única).
O ponto não é “carimbar” pessoas. O ponto é entender o mecanismo: sistemas de poder podem selecionar traços que aumentam dano coletivo. E, quando isso acontece, o cidadão comum tende a cair num estado emocional perfeito para a colonização: medo, raiva, urgência, certeza.
Percepção colonizada: quando sinal vira narrativa
A colonização da percepção acontece assim:
O corpo muda primeiro
Respiração encurta, mandíbula trava, ombros sobem, olhar estreita.
A narrativa chega depois
“Eu tenho que reagir.”
“Eu não posso perder.”
“Eles estão me perseguindo.”
“Eu sou melhor do que isso.”
“Se o outro ganhou, foi trapaça.”
A história vira identidade
Você não está só com tensão — você passa a “ser” a tensão explicada.
Isso é Zona 3: o Eu-Bioma segue vivo, mas a primeira pessoa vira personagem.
A ferida social: “dor de ver o inferior melhorar”
Esse ponto é cruel porque é real: há pessoas que sofrem ao ver quem era mais pobre receber ajuda, ter quatro benefícios, ou simplesmente melhorar a renda — e isso parece “injustiça” para quem não suporta perder posição.
Mas isso não é economia; é psicologia de status.
O Avatar pensa em ranking: se alguém sobe, eu desço.
O Eu-Bioma pensa em sistema: se o ecossistema humano estabiliza, todo mundo respira melhor.
Quando o Avatar governa, a pessoa prefere acreditar em qualquer narrativa que preserve sua identidade — mesmo diante de provas, prisões, investigações, fatos. A frase muda, mas a função é a mesma: proteger o personagem.
O Brasil e o vício em enredo: “é perseguição”
Aqui entra um padrão universal (não só Brasil): quando a realidade fere a identidade do grupo, a pessoa não corrige a crença; ela troca a régua de evidência. E daí nasce o mantra: “isso é perseguição”.
O problema é que essa dinâmica quebra a soberania da primeira pessoa. Você deixa de checar sinal e dado; você checa lealdade.
A árvore caiu no bosque… e ninguém filmou
No mundo do feed, muita gente vive presa num paradoxo:
sem registro, “não existe”;
com registro, “pode ser manipulado”.
Então como acreditar?
A saída é simples e adulta: cada tipo de coisa pede uma régua de evidência diferente.
Para eventos íntimos: sinal do corpo + coerência no tempo.
Para fatos sociais: fontes independentes + consistência entre evidências.
Para narrativas virais: desconfiança padrão + checagem metacognitiva.
A árvore pode ter caído sem ninguém ver. E um vídeo pode ser falso mesmo viralizando. O ponto é: não viver refém do “parece”.
O ritual “Feliz 2025” em 10 minutos
Sem misticismo. Só soberania.
1) Três memórias (2 min)
Liste 3 eventos marcantes de 2025 (sem explicar).
2) Sinal do Eu-Bioma (3 min)
Para cada evento, escreva só sinais:
respiração, mandíbula, peito, sono, fome, tensão.
3) Narrativa do Avatar (3 min)
Escreva a frase pronta que apareceu:
“eu tenho que… / eu sou… / eles estão… / se eu não…”
4) Ressignificação terna (2 min)
Reescreva assim:
“Eu vivi _____. Meu corpo pediu _____. Em 2026, eu respondo com _____.”
Feche com 6 expirações um pouco mais longas e a frase:
“Eu uso narrativas, mas eu moro no meu bioma.”
CTA final (1 minuto)
Agora, faça isto e guarde:
Escreva 3 coisas que abrem seu Eu-Bioma (sono, água, silêncio, comida simples, caminhada…).
Escreva 3 coisas que fecham seu Eu-Bioma (tela tarde, pressa, comparação, briga, açúcar…).
Escolha uma ação mínima para 2026: “todo dia eu volto ao sinal antes do feed.”
Se você quiser transformar isso numa série forte: copie este texto, publique, e no final pergunte nos comentários:
“Qual memória de 2025 você quer ressignificar — e qual sinal do seu corpo te avisou primeiro?”




