Dor, Sono e Consciência no Hiperespaço Mental - SBNec FALAN LatBrain Brain Bee SfN 2025
29/08/2025 at 01:08:59
Author: Jackson Cionek
29/08/2025 at 01:08:59
Author: Jackson Cionek
“Eu sou a Consciência atravessando o corpo em silêncio. Quando adormeço, algumas dores se escondem atrás de tensões que parecem normais. Mas, pouco a pouco, à medida que meu sono se aprofunda, o limiar de dor desce — e aquilo que não percebia acordado começa a aparecer. O sapato que não incomodava agora me aperta, a posição do braço precisa ser ajustada. Não é castigo, é sinal. É o corpo me pedindo um reposicionamento para que a cura siga seu caminho dentro da normalidade.”
A Dor como Marcador Nociceptivo Integrado
A dor é, em sua origem, um marcador nociceptivo: resulta da ativação de nociceptores periféricos que detectam estímulos mecânicos, térmicos ou químicos capazes de causar dano.
Mas o cérebro não lê esse sinal isoladamente. Ao chegar às estruturas de integração (tálamo, córtex somatossensorial, ínsula, cíngulo anterior), a dor se combina com a interocepção (estado interno visceral e autonômico) e com a propriocepção (mapas corporais e posturais).
Nesse processo, a dor deixa de ser apenas um alerta nociceptivo e passa a funcionar como referência para a consciência reposicionar o corpo e orientar processos de reparo.
O Sono e o Limiar da Dor
Durante a vigília estressada, circuitos descendentes (locus coeruleus, rafe, opioides endógenos) elevam o limiar da dor – um estado de analgesia induzida pelo estresse. Assim, pequenas tensões não são percebidas.
Porém, ao entrar no sono:
N1 – O limiar sensorial
O limiar de dor começa a baixar. Tensões sutis, antes imperceptíveis, passam a ser detectadas. É por isso que, ao adormecer com sapatos, eles se tornam incômodos: o cérebro sinaliza a necessidade de reposicionar ou retirar o objeto.
N2 – Estabilização autonômica
Com fusos e complexos-K, há modulação do tálamo-cortical. Aqui o corpo filtra parte da nocicepção, mas mantém sensibilidade suficiente para despertar diante de pressões nocivas.
N3 – Reparo profundo
O limiar de dor se ajusta para proteger o sono profundo. Há liberação de hormônios anabólicos (GH, IGF-1), redução inflamatória e reforço metabólico. A dor é atenuada para permitir restauração.
REM Tônico – Recalibração proprioceptiva
Com o corpo paralisado, o cérebro reorganiza mapas musculoesqueléticos. Essa recalibração é essencial para corrigir padrões de tensão crônica que alimentam a dor.
REM Fásico – Integração emocional da dor
As imagens vívidas e oscilações autonômicas ajudam a processar o sofrimento associado à dor, transformando a experiência nociceptiva em memória integrada.
Insight Central
A dor nasce como sinal nociceptivo, mas no sono ela é reconfigurada como experiência interoceptivo-proprioceptiva.
No limiar entre vigília e N1, aprendemos que aquilo que não incomodava passa a incomodar porque o limiar de dor desce, obrigando-nos a ajustar posição ou retirar tensões ocultas.
Na Zona 3, esse mecanismo é sabotado: ideologias ou medicamentos podem silenciar precocemente a dor, impedindo que o corpo utilize o sono para reposicionar-se e curar-se dentro da normalidade fisiológica.
Referências Neurocientíficas Pós-2020
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Khalsa, S. S., et al. (2023). The relationship between pain and interoception: a systematic review and meta-analysis.
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Simor, P., et al. (2021). Heartbeat-evoked potentials during phasic and tonic REM sleep.
Simor, P., et al. (2025). Differential interoceptive processing in the anterior thalamus across phasic and tonic REM sleep.
Schrimpf, M., et al. (2021). Sleep deprivation increases pain sensitivity and reduces pain tolerance.
Zhang, Y., et al. (2022). Thalamocortical dynamics and nociceptive processing across sleep stages.
Li, W., et al. (2023). Prefrontal-accumbens ensembles link sleep disturbances and chronic pain amplification.
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