fNIRS hyperscanning em díades mãe–filha com FXS
23/02/2026 at 08:02:13
Author: Jackson Cionek
23/02/2026 at 08:02:13
Author: Jackson Cionek
Comentário BrainLatam 2026 sobre o preprint rs-7541575/v1
A pergunta central deste artigo é direta e, ao mesmo tempo, rara na literatura: quando uma menina com Síndrome do X Frágil (FXS) interage “ao vivo” com a mãe, o cérebro das duas consegue entrar em sincronismo típico (IBS), ou aparece um padrão diferente — e esse padrão se relaciona com o jeito de falar e com sinais de dificuldades sociais?
O desenho experimental tenta responder isso com um gesto metodológico elegante: trazer a interação para perto do que acontece na vida real, sem transformar a relação em cliques de botão. Eles recrutam 63 díades mãe–filha: 33 com FXS, 18 controles pareadas por idade e QI verbal, e 12 tipicamente desenvolvidas (TD) pareadas por idade. As idades médias ficam perto da adolescência (em torno de 12–13 anos). A escolha por apenas meninas também é intencional: reduz o peso de déficits cognitivos mais severos (mais comuns em meninos com FXS) e tenta “isolar” melhor o componente social-comunicativo.
Agora, para sentir o experimento no próprio corpo (Mente Damasiana em ação), imagine a cena:
Você está numa sala tranquila. Duas cadeiras frente a frente. Toucas de fNIRS ajustadas na cabeça de vocês duas. O pesquisador explica: “o importante é interagir de verdade”. Antes de começar, vem o repouso de 2 minutos com olhos fechados, sem conversar.
Só isso já muda o corpo: a mandíbula solta um pouco, o peito encontra outro ritmo, o olhar “desliga” e a interocepção aparece. Esse é o ponto BrainLatam: percepção não entra por um canal — ela é um estado corporal. O repouso prepara um “piso” comum para comparar o que vem depois.
A seguir, começa o tangram cooperativo por 6 minutos, com peças indo do simples ao mais complexo. Aqui o corpo troca de marcha: dedos ficam mais precisos, testa esquenta, a respiração fica mais curta sem você perceber, e o tronco tende a inclinar para “entrar” no problema. Esse é um Eu Tensional típico de Zona 1: tensão instrumental para resolver tarefa. Só que agora existe um detalhe de “bando”: uma díade não é dois cérebros somados; é um microterritório compartilhado.
E aqui entra nossa observação (cordonizes / sistemas complexos): num bando, as funções se diferenciam pela posição, mas o conjunto segue coordenado. Na díade mãe–filha, também: uma pode guiar, a outra pode testar hipóteses; uma regula o ritmo, a outra regula a exploração. O nosso Jiwasa nasce justamente nessa divisão de papéis. Esse é um jeito BrainLatam de nomear IBS como um “a gente” mensurável: sincroniza e dessincroniza com função — não é uniformidade, é coordenação.
Depois do tangram, eles inserem um “reset” para o corpo não carregar o estado anterior: 2 minutos vendo um vídeo de natureza, para reduzir efeito de transferência entre tarefas. Na prática, isso tenta puxar vocês de volta para mais Zona 2: soltar a tensão, deixar reorganizar.
Então vem a parte mais “vida real”: uma conversa livre sobre planejar férias, com uma lista de perguntas para a mãe facilitar o diálogo. Perceba a troca corporal: agora a coordenação não está nas mãos e nas peças; está em turnos de fala, timing, olhar, pausas, entonação. O corpo vira “metrônomo social”. Em termos de APUS/Corpo-Território, o território deixa de ser a mesa; vira o espaço entre as duas — o campo de atenção compartilhada.
Como eles “enxergam” isso no cérebro? Usam dois sistemas NIRSport2, um para cada participante, cobrindo córtex pré-frontal, temporal e parietal, com luz em 760 e 850 nm e amostragem 7,81 Hz, além de canais de curta separação para ajudar a remover efeitos superficiais (ex.: fluxo sanguíneo do couro cabeludo). Eles fazem uma limpeza bem padrão e respeitável: removem canais ruins, corrigem movimento (TDDR + wavelet), checam acoplamento (SCI), convertem para HbO/HbR e usam short-separation para regressão de artefatos.
A parte-chave para a pergunta do artigo é como definem IBS: calculam coerência por wavelet (WTC) entre canais das duas pessoas, encontram bandas de frequência relevantes com teste de permutação (1000 amostras aleatórias) e colapsam isso num índice (Fisher z-transform) por par de canais e por tarefa. E para ligar cérebro a linguagem (sem virar “neurofantasia”), eles gravam a conversa e extraem métricas objetivas. O áudio é transcrito com Whisper e depois corrigido manualmente; então usam o CLAN/TalkBank para calcular MLU (tamanho médio de enunciado), TNW (total de palavras), WPS (palavras por frase) e CPS (orações por frase). Isso responde a segunda metade da pergunta: “se IBS muda, muda junto com a qualidade/estrutura da fala?”
Os resultados (que a gente pode ler como “mapa do nosso a gente”) aparecem diferentes por tarefa. No tangram, as díades FXS mostram IBS mais forte em área frontopolar direita, mas IBS mais fraca em área de Broca esquerda e DLPFC direito em comparação com controles e TD. Na conversa, as díades FXS têm IBS reduzida em regiões como SFG, STG e FEF à esquerda, e IBS aumentada no giro supramarginal direito (SMG).
Na linguagem, as meninas com FXS mostram MLU e TNW menores (e também WPS menor vs TD), sugerindo menos complexidade/fluência no diálogo com a mãe. E o ponto mais amarrado ao desenho experimental: IBS mais forte no SMG direito se associa a melhor desempenho verbal nas métricas (MLU, TNW, WPS, CPS), e também se correlaciona com maior severidade em SRS-2 dentro do grupo FXS.
O que isso significa no vocabulário BrainLatam? Que o nosso “a gente” (QSH/Jiwasa) não some — ele muda de formato. A díade pode estar sincronizando mais em um eixo (por exemplo, processamento fonológico/turnos) e menos em outro (por exemplo, integração social recíproca, atenção ocular, ou planejamento executivo compartilhado), dependendo do estado corporal exigido pela tarefa. O desenho experimental é bom justamente porque compara dois eus tensionais diferentes (resolver junto vs conversar junto) usando a mesma díade, e tenta evitar contaminação com um reset entre tarefas.
Se eu fosse deixar uma “pergunta de próxima geração” (sem perder a elegância do estudo): em hyperscanning, sempre vale medir também respiração/HRV e olhar para separar o que é sincronismo neural social do que pode ser sincronismo fisiológico compartilhado (ritmo respiratório, tensão postural, etc.). Mas, como primeiro passo focado em meninas com FXS, este trabalho monta um caminho bem claro: pergunta → interação real → métrica neural (IBS) + métrica linguística → correlações com traço social.
Tangram é um quebra-cabeça geométrico chinês muito antigo, composto por 7 peças (chamadas de "tans"):
5 triângulos (2 grandes, 1 médio e 2 pequenos)
1 quadrado
1 paralelogramo
O objetivo original é formar figuras (animais, pessoas, objetos, letras) usando todas as 7 peças, sem sobreposição.
La conciencia como recorte: Avatares y la realidad sin lentes
Consciousness as a Slice: Avatars and Reality Without Lenses
Consciência como Recorte: Avatares e a Realidade Sem Lentes
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Associações com diferentes dimensões dos sintomas de TOD: um estudo de fNIRS
fNIRS hyperscanning madre–hija en Fragile X
fNIRS hyperscanning in mother–daughter dyads Fragile X
fNIRS hyperscanning em díades mãe–filha com FXS
The “entry point”: what fNIRS is actually giving you
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