Blog

Zona 3 Algorítmica - EEG Eye-tracking fNIRS

Zona 3 Algorítmica - EEG Eye-tracking fNIRS

FESBE 2026, IA, EEG, eye-tracking e fNIRS na disputa pela atenção

Antes de falar de inteligência artificial, algoritmo ou rede social, a gente volta ao corpo. Olhos. Respiração. Mandíbula. Polegar. Pescoço inclinado. Peito levemente preso. Atenção fragmentada. O corpo sabe quando está sendo puxado antes mesmo de a consciência perceber.

Este blog nasce de uma pergunta central:

o que acontece com os eus tensionais quando a atenção passa a ser capturada por ambientes digitais desenhados para manter o corpo em alerta, comparação e desejo?

A programação da FESBE 2026 abre espaço para essa discussão ao trazer temas como inteligência artificial, ciência aberta, neurociência da aprendizagem, ritmos biológicos, métodos de análise, tecnologias avançadas, educação científica e saúde mental. Isso permite aproximar IA, atenção, fisiologia e desenvolvimento humano com seriedade científica.

Na linguagem BrainLatam2026, Zona 3 Algorítmica é o estado em que o corpo deixa de perceber o território real e passa a responder a estímulos digitais que sequestram atenção, emoção e pertencimento. Não é apenas “usar muito celular”. É quando o algoritmo começa a organizar os eus tensionais: o eu que precisa lacrar, o eu que precisa aparecer, o eu que precisa consumir, o eu que precisa provar valor, o eu que precisa odiar para pertencer.

A memória, nesse contexto, deixa de servir apenas ao fazer criativo e passa a sustentar personagens digitais. O sujeito recruta memórias afetivas, medos, crenças, inseguranças e desejos para manter uma figura social online. Esse é o ponto crítico: o corpo continua tentando pertencer, mas o território percebido foi substituído por uma arquitetura de estímulos.

A IA não precisa “dominar” a mente de forma mágica. Basta modular repetidamente atenção, recompensa, comparação social e previsibilidade. Revisões recentes mostram que o uso intenso de redes sociais pode se relacionar a mudanças em processos neurocognitivos, incluindo atenção, resposta emocional e padrões de atividade cerebral medidos por EEG. (PMC)

Aqui, o eye-tracking é fundamental. Ele permite observar para onde o olhar vai, quanto tempo fixa, o que evita, o que busca, o que captura saliência. Em ambientes digitais, isso ajuda a medir como imagens, rostos, notificações, métricas sociais e chamadas visuais disputam o campo atencional. Estudos recentes também combinam eye-tracking e fNIRS para investigar atenção visual e respostas cognitivas pré-frontais diante de conteúdos gerados por IA. (Frontiers)

O EEG entra para observar a dinâmica rápida da atenção: vigilância, surpresa, erro, conflito, fadiga, impulsividade, expectativa e resposta a estímulos. Se o algoritmo opera em milissegundos, o EEG é uma das ferramentas mais coerentes para escutar essa temporalidade.

O fNIRS/NIRS entra quando a pergunta envolve córtex pré-frontal, carga cognitiva, controle, tomada de decisão e tarefas mais ecológicas. Estudos recentes indicam o uso de fNIRS com eye-tracking para medir carga cognitiva e atenção em contextos educacionais e digitais, reforçando sua utilidade em ambientes mais próximos da vida real. (ScienceDirect)

A hipótese BrainLatam2026 seria:

a Zona 3 Algorítmica aparece quando a atenção deixa de servir à percepção do corpo-território e passa a sustentar personagens digitais de pertencimento performático.

Nesse estado, APUS enfraquece: o corpo percebe menos o espaço, a postura, a respiração, o território. Tekoha se confunde: ansiedade vira urgência, comparação vira desejo, medo vira engajamento, solidão vira consumo. Jiwasa também é distorcido: a sincronia coletiva vira contágio afetivo algorítmico, não pertencimento real.

Um desenho experimental possível:

Comparar adolescentes ou jovens adultos em três condições:

  1. leitura calma em ambiente sem notificações;

  2. uso de feed curto com conteúdo neutro;

  3. uso de feed com alta saliência social: métricas, conflito, comparação, aprovação e urgência.

Medidas possíveis:

  • EEG para atenção rápida, surpresa e controle;

  • fNIRS para carga pré-frontal;

  • eye-tracking para captura visual;

  • HRV/RMSSD para regulação autonômica;

  • respiração para ritmo corporal;

  • GSR para ativação emocional;

  • EMG mandibular para tensão do eu tensional;

  • autorrelatos breves sobre pertencimento, ansiedade e comparação.

A pergunta não seria “rede social faz mal?”. Isso seria pobre. A pergunta séria seria:

quais arquiteturas digitais empurram o corpo para Zona 3, e quais permitem retorno à Zona 2?

A crítica decolonial é essencial. Jovens latino-americanos não usam redes sociais em um vazio. Usam em contextos de desigualdade, escola precarizada, violência simbólica, racismo, pressão estética, desemprego, religião, política, consumo e busca de pertencimento. A Zona 3 Algorítmica não é apenas tecnológica. É social, econômica e territorial.

Por isso, Brainlly é um avatar central aqui: traduzir essa discussão para adolescentes sem moralismo. Tekoha ajuda a perceber o que acontece por dentro do corpo. APUS lembra que o território real precisa voltar a ser sentido. Jiwasa pergunta se existe pertencimento verdadeiro ou apenas sincronização por pressão. Math/Hep exige método: medir uma hipótese por vez, sem transformar crítica cultural em conclusão automática.

O DREX Cidadão também entra nesse debate. Se a economia da atenção lucra com corpos inseguros, comparáveis e sempre em falta, uma política de pertencimento e metabolismo cidadão poderia reduzir a vulnerabilidade basal à captura algorítmica. Um corpo menos pressionado pela sobrevivência talvez precise performar menos, consumir menos identidade e odiar menos para pertencer.

No fim, a Zona 3 Algorítmica não é o celular. Não é a IA. Não é a tela isolada. É o encontro entre tecnologia persuasiva, insegurança corporal, memória afetiva, desigualdade social e personagens digitais que custam caro demais ao corpo.

A pergunta BrainLatam2026 fica:

quem está educando a atenção dos nossos eus tensionais: o corpo-território ou o algoritmo?


Referências recentes que ratificam este texto

  1. Satani et al. (2025) — estudo sobre impacto neurocognitivo das redes sociais usando EEG para avaliar padrões de atividade cerebral e respostas cognitivas/emocionais. (PMC)

  2. Cha (2026) — estudo com eye-tracking e fNIRS sobre atenção visual e respostas cognitivas pré-frontais diante de personagens gerados por IA. (Frontiers)

  3. Pinheiro et al. (2024) — artigo sobre uso de eye-tracking e fNIRS como ferramentas neurocientíficas para investigar atenção, memória e processos cognitivos em aprendizagem. (ScienceDirect)

  4. Chen et al. (2025) — estudo integrando fNIRS e eye-tracking para predição de carga cognitiva individual por modelos de machine learning. (MDPI)

  5. Li et al. (2025) — revisão bibliométrica sobre tecnologias móveis de eye-tracking e neuroimagem, destacando o papel do fNIRS em aprendizagem social e ambientes reais. (OUP Academic)

  6. Sage Journals / Social Attention Research (2023) — artigo sobre uso de eye-tracking em pesquisa de atenção social e interações de segunda pessoa. (Sage Journals)

  7. Rivas-Vidal et al. (2026) — revisão sobre integração de EEG e eye-tracking para avaliar atenção, percepção e consciência situacional. (PMC)



FESBE 2026 — Neurociencia Decolonial - Óptimos Locales

FESBE 2026 — Decolonial Neuroscience - Local Optima

FESBE 2026 — Neurociência Decolonial - Ótimos Locais

El Colapso de la Familia Perfecta

The Collapse of the Perfect Family

O Colapso da Família Margarina

Jiwasa: Sincronización Colectiva y Democracia Neurofisiológica

Jiwasa: Collective Synchronization and Neurophysiological Democracy

Jiwasa: Sincronização Coletiva e Democracia Neurofisiológica

El Cuerpo No Miente

The Body Does Not Lie

O Corpo Não Mente

Carbono Ciudadano y Territorio Vivo

Citizen Carbon and Living Territory

Carbono Cidadão e Território Vivo

Psicodélicos, Yagé y Reorganización de los Yoes Tensionales

Psychedelics, Yagé, and the Reorganization of Tensional Selves

Psicodélicos, Yagé e Reorganização dos Eus Tensionais

Zona 3 Algorítmica - EEG Eye-tracking fNIRS - FESBE

Algorithmic Zone 3 - EEG Eye-tracking fNIRS

Zona 3 Algorítmica - EEG Eye-tracking fNIRS

Economía Energética de los Yoes

Energy Economy of the Selves

Economia Energética dos Eus

El Cuerpo Que Aprende el Territorio Antes del Lenguaje

The Body That Learns Territory Before Language

O Corpo Que Aprende o Território Antes da Linguagem


FESBE 2026 — Neurociência Decolonial - Ótimo Local Brain Bee
FESBE 2026 — Neurociência Decolonial - Ótimo Local

#FESBE2026
#EEG
#fNIRS
#NIRS
#Decolonial
#Neuroscience
#OtimoLocal
#ComputacaoEvolutiva
#FuturoAncestral
#PerfectFamily
#MentalHealth
#RitmosBiologicos
#Jiwasa
#Hyperscanning
#EEGHyperscanning
#fNIRSHyperscanning
#SocialNeuroscience
#Pertencimento
#CBDCdeVarejo
#CreditosDeCarbono
#PIX
#Drex
#DrexCidadao
#Yage
#Consciousness
#Neuroplasticity
#EusTensionais
#EyeTracking
#Burnout
#EuTensional
#CorpoTerritorio
#CuerpoTerritorio
#DOHaD
#Epigenetics
#BrainLatam2026
 






Jackson Cionek










AREAS OF INTEREST