Atenção, P300 e workload no Flow: análise do estudo “Shielding the Mind With Flow”
19/01/2026 at 07:01:23
Author: Jackson Cionek
19/01/2026 at 07:01:23
Author: Jackson Cionek
(1) Brain Bee — Introdução em primeira pessoa
Enquanto eu jogo e entro em flow, meu corpo “fecha as portas” pro mundo? Ou ele só fica tão ocupado regulando que não sobra atenção para o resto?

Atenção P300 e workload no Flow
análise do estudo Shielding the Mind With Flow
(2) O que o estudo mostra (objetivo)
Lingelbach et al. testaram como sobrecarga (overload), subcarga (underload) e flow mudam a atenção auditiva e a alocação de recursos cognitivos durante um jogo, usando EEG em 13 participantes.
O desenho foi um dual-task:
tarefa primária: jogo (dificuldade manipulada)
tarefa secundária: auditory oddball com contagem silenciosa (sem resposta motora)
Resultados principais:
Questionários (NASA-TLX e Flow Short Scale) + performance confirmaram indução bem-sucedida dos estados e que flow teve melhor desempenho e valência subjetiva mais positiva do que overload.
Em ERPs do oddball, flow e overload diferiram de underload (cluster centro-parietal a partir de ~200 ms), mas flow vs overload não separou bem no univariado.
MVPA conseguiu decodificar as 3 condições acima do acaso; flow vs overload foi o contraste mais difícil, com uma janela curta de separação.
Tese dos autores: o flow funciona como um “shielding mechanism”: protege o foco do jogo reduzindo reorientação para estímulos irrelevantes.
(3) Leitura APUS — Propriocepção estendida (movimento/postura/tônus)
O estudo é “sobre atenção”, mas o APUS aparece pelo lado motor-organizacional:
O flow foi induzido por ajuste fino de desafio-habilidade (dificuldade adaptada por preferência e desempenho), o que tende a estabilizar tônus + coordenação + microdecisões motoras no jogo. Isso cria fluidez proprioceptiva: o corpo entra num regime de movimento mais eficiente, com menos “freios” internos.
A ausência (ou redução) de resposta ao oddball durante flow pode ser lida como: o APUS está tão “ocupado” sustentando o campo de ação (movimento, timing, previsões sensório-motoras) que não compensa abrir espaço proprioceptivo para virar a atenção a um evento auditivo externo.
Ponto forte: o paradigma evita resposta motora ao oddball, reduzindo confusão “atenção vs movimento” — isso deixa mais limpo o que é escudo atencional e o que é interferência motora.
(4) Leitura Tekoha — Interocepção estendida (visceral/autonômico/metabólico)
Aqui está o núcleo “metabólico” do paper, mesmo sem medir metabolismo diretamente:
Flow e overload podem ter nível de engajamento neural parecido, mas com valência diferente (flow mais positivo).
Pela lente Tekoha: o corpo pode estar com alto gasto/regulação, porém em flow ele interpreta o estado interno como seguro/viável (controle + recompensa), enquanto no overload o mesmo “alto esforço” vira ameaça/aversão.
O “shielding” pode ser lido como um modo de regulação: o Tekoha prioriza manter homeostase funcional do jogo (ritmo interno estável) e reduz “portas” para estímulos concorrentes.
Sugestão BrainLatam (coerente com nosso seu eixo): um próximo estudo deveria acoplar EEG + HRV/EDA/respiração como marcadores de Tekoha para separar “engajamento” de “custo visceral”. (Eles gravaram ECG/EOG; abre espaço para isso.)
(5) Jiwasa (quando aplicável)
Neste paper, não há coletivo (é tarefa individual). Então Jiwasa entra como próxima ponte:
Se flow “blinda” atenção em indivíduo, o que acontece quando o movimento é sincronizado em grupo (dança)? O escudo vira campo compartilhado: menos distração externa e mais acoplamento corpo-corpo.
(6) Limites do estudo (críticos, porém justos)
N pequeno (n=13): bom para prova de conceito, frágil para generalização.
Medida chave (P300/ERP) indexa atenção a oddball, mas não é “assinatura exclusiva de flow”: overload também reduz P300. Os autores reconhecem isso e dependem do MVPA para separar.
“Flow” foi operacionalizado por ajuste de dificuldade e escalas pós-bloco; ainda faltam marcadores online mais diretos do estado (apesar do oddball ajudar).
O efeito de postura (sentar vs ficar em pé) foi mínimo nos sinais principais; pode ter sido pouco sensível com esse N.
(7) Tradução para o Mundo Orgânico (arte, dança, cultura viva)
Aqui está o ouro para Dança:
O paper mostra, com EEG, que existe um modo de funcionamento em que o cérebro reduz a entrada de distrações quando o corpo está em regime de tarefa “certa” (desafio-habilidade). Isso é praticamente uma definição neurofisiológica do que a dança chama de presença.
Em termos APUS-Tekoha: dança bem desenhada não é “entretenimento”; é um protocolo orgânico para induzir estados de alta eficiência atencional com valência positiva — potencialmente anti-anergia (libera tensões) sem virar overload.
(8) Pergunta aberta BrainLatam (experimento)
Se eu trocar o jogo por dança ao vivo (solo vs grupo) e inserir um oddball auditivo idêntico:
o “shielding” aparece mais forte?
e ele muda quando o corpo está em APUS coletivo (sincronia) e o Tekoha está em estado de segurança (HRV alta)?
O corpo não precisa de crença para funcionar.
Ele precisa de espaço, movimento e regulação.
Ref.:
Lingelbach, K., Vorreuther, A., Moll, E., & Mathias Vukelić. (2025). Shielding the Mind With Flow: Attention Allocation and Auditory Event‐Related Potentials Under Varying Mental Workload. European Journal of Neuroscience, 62(8), e70283–e70283. https://doi.org/10.1111/ejn.70283
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